Sobre se conectar com leveza.

Leia esse post ao som de Beirut – The Concunbine

Eu admito para vocês que o meu real sentimento hoje era de escrever sobre despedidas. Porém, como meu último post já foi sobre partidas, imaginei que ia ficar um tanto quanto triste e nostálgico esse blog. Então essa postagem fica para depois 😉

Para começar a falar sobre conexões e leveza, tenho que trazer o contexto e a perspectiva oposta que me motivam a escrever sobre esse tema.

O contexto

Eu sempre fui uma pessoa muito sensitiva. Dizem os mais espiritualizados que isso é sintoma de muita empatia. Pode ser? Pode. Mas isso não diminui o que é sentir tudo e todos com muita intensidade e a todo momento.

É engraçado como o ser humano é um bicho extraordinário. Possuímos uma capacidade que muitas vezes está mascarada dentro de nós que é ver além do que os olhos enxergam.  (Podem me chamar de brega. Eu banco a bronca :P).

Você já sentiu como se entendesse tudo sobre uma pessoa simplesmente por olhar para ela? Sabe o que é sentir os medos, frustrações, amores, intensidades, incertezas, caos, estabilidade e tudo o que o coração tem para oferecer? É isso que eu sinto. E isso aflora, principalmente, quando eu estou mais vulnerável.

Por muito tempo eu não sabia direito o que fazer com tudo isso. Na maioria das vezes, eu falava para a pessoa tudo aquilo que ela estava emitindo, e seguia em frente.

O problema? É que nem sempre tudo o que a pessoa está sentindo é aquilo que ela quer te deixar ver.

As coisas bonitas são deliciosas de compartilharmos. As feias? Nem tanto.

Agora se coloque no meu lugar, de alguém que não enxergava aquilo como feio: sempre enxerguei como humano. Só que até mesmo essa consciência é algo que a vida nos presenteia, e vem com o tempo – não é da noite pro dia.

Dito isso, eu admito para vocês que já passei alguns limites por não saber até onde ir com aquela informação que eu recebia. Já tive pessoas que se encantaram, já tive pessoas que fugiram correndo daquilo que era compartilhado. É normal. E também é quebrando a cara que a gente entende que temos que compreender o momento da pessoa, e que mesmo vendo aquele universo inteiro dentro dela, há de se criar um espaço de segurança e conforto para que certas coisas venham à tona.

Talvez o que eu compartilho hoje com vocês seja algo muito íntimo – e percebam que isso acontece pois esse blog é meu lugar de segurança. Foi algo que eu construí pouco a pouco para, então, introduzir assuntos um pouco mais profundos.

E como todo post meu tem alguma história para contar, vamos à de hoje e como ela revolucionou a minha forma de enxergar e me relacionar com as pessoas.

A perspectiva oposta da leveza

Há um tempo atrás eu ficava com um cara, e era muito diferente ficar com ele. Na época, eu estava começando a perceber o mundo de informações que chegavam para mim, e claro, compartilhava com ele.

Não sei como esse cara ficou tantas vezes comigo, eu juro. Eu espremia o inconsciente dele todas as vezes que a gente saía. Falava sobre os relacionamentos mau acabados, sobre a forma de enxergar a família, trabalho e amigos. (Caralho, até eu admito que eu devia ser um pé no saco. Se você era esse cara e está se reconhecendo no post – me perdoa! Agora, se você é uma mina/cara que já fez isso com alguém – meu bem, chegou a hora de reconhecer que isso nem sempre é legal. Combinado?)

Enfim, acho que ali era um teste que a vida tava fazendo comigo, só podia ser. Mas o que acontece é que em algum momento a gente parou de ficar, e vida que segue.

Essa situação aconteceu pelo menos mais algumas várias vezes na minha vida. Fosse com amigos, ficantes, namorados, família – o que fosse. Minha irmã até me zoava falando: Giulia, porque você sempre chega em uns assuntos tão profundos com as pessoas que conversa? Isso é um papo de bar, não um divã. (É Carolina, você sempre teve razão).

Nota: é importante que fique claro que ter relacionamentos com intensidade e profundidade não é errado, de forma alguma. Mas existem pessoas e momentos certos para isso, e reconhecê-los é exatamente sobre o que eu escrevo hoje.

A mudança de mindset

Eu fui reconhecer que fazia esse tipo de coisa e que o que era pra ser legal muitas vezes se tornava um incômodo só na semana passada. Eu sempre achava que compartilhar a intensidade das pessoas era a melhor forma de me aproximar delas. Achei errado.

O momento do plim foi quando eu sentei com dois amigos meus, que coincidentemente eram amigos desse cara que eu ficava, e eles me falaram:

“Porra Giulia, você causava muito na mente dele. Ele saía dos rolês mentalmente cansado e as vezes até pra baixo”

Obrigada, amigos. Vocês revolucionaram a minha forma de me relacionar.

Depois dessa fala, eu refleti muito. Fiquei meio puta, eu admito. Achava que tudo aquilo que eu fazia até então era um presente para as pessoas. E até poderia ser, mas no momento errado.

Foi então que eu resolvi testar o outro lado da moeda durante o fim de semana.

Encontrei um amigo meu que não via há tempos e que também tinha o costume de causar na mente dele sempre que a gente saía. Eu via nele um lado agressivo muito forte, e sempre queria falar sobre isso. A consequência? Tornava ele mais agressivo ainda.

Então eu decidi que só ia falar sobre coisas leves e me relacionar com muito carinho e afeto, para ver se algo mudava. Eu falei pra ele: “Hoje eu não quero falar sobre coisas pesadas, só quero saber como você tá e talvez conspirar sobre a matrix e fatos do mundo”. Ele riu.

A noite continuou com papos diversos e, quando ele introduzia um assunto mais profundo, nós conversávamos.

Passavam mil coisas na minha cabeça e informações, análises e tudo mais? Claro. Mas eu não tinha que falar. Aquele não era o meu lugar.

Além disso, fui um amor de pessoa (risos). Quem me conhece sabe que eu sou meio travada com dar carinho e etc. Pode ser culpa do vênus em Virgem, ou também de consequências de édipo. Seilá!

O que importa é que naquele dia foi criado um ambiente tão gostoso e leve, que a nossa amizade também refletiu isso. Ao invés de chegar um momento em que ficávamos estupefatos pela constante discussão do ser, apenas estávamos sendo.

E aí que eu vi: você não pode forçar a barra, gata! Não importa o quanto você saiba, sinta ou pense. A hora certa para algumas situações só se dá na hora certa.

Se relacionando com leveza

Se relacionar com leveza não representa uma não profundidade. Se relacionar com leveza talvez seja o maior exercício que um empata possa fazer: ver a beleza e a dor do outro, e respeitar o tempo de maturação que é necessário para que algumas flores se abram. Nem toda época é primavera, e é isso que tornam as estações do ano tão bonitas – suas passagens.

É claro que existem pessoas que estão dispostas a compartilhar com você naquele exato momento aquilo que você está sentindo, e é uma delícia. Mas é uma delícia também ir construindo aos poucos a intimidade necessária para explorar, a dois, os mistérios de cada um.

E isso vale para os dois lados. Pois eu admito que também adoro jogar a minha profundidade no outro e ser um livro aberto.

Mas assim como a profundidade dos outros pesa, a sua pesa também. E nem sempre todas as pessoas são bem intencionadas para tratar a sua história com o sentimento que ela merece.

Dito isso, encerro o post de hoje com o coração um pouquinho mais leve e mais tranquilo, e entendendo que tudo tem a sua hora. Aproveite, enquanto isso, os minutos ;).

 

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