Quando é hora de partir.

Leia esse post ao som de Step Out – José González.

A gente nunca sabe quando é a hora de partir, não é mesmo?

Hoje vou compartilhar com vocês um pouco do que aconteceu comigo nos últimos meses e anos e que talvez ajude a refletir sobre partidas – e que as mesmas não precisam ser vistas como términos, mas partes do caminho.

Há 5 anos atrás…

Eu estava de malas e emoções prontas para começar um novo capítulo da minha vida: estava me mudando para Florianópolis (A foto de capa é do dia em que cheguei em Floripa).

Me lembro direitinho de como aconteceu tudo: era aniversário da minha mãe e eu partiria no dia seguinte. Imagina que situação dúbia de felicidade e tristeza! Foi difícil(ímo), eu admito. Essa era a segunda vez que eu estava saindo de casa para me jogar em uma aventura completamente inesperada mas, dessa vez, sem data para voltar.

No dia seguinte meu pai passou na porta de casa, pegamos minhas malas, e seguimos por mais 8h de estrada até chegar na minha nova casa – uma ilha!

(Agora é aquela hora do filme em que você imagina tudo o que eu vivi nos últimos 5 anos, dentre: ir morar com meu pai, me mudar para morar com 3 amigos, mudar de amigos que moravam comigo, ter uma gatinha de 3 patas (Nina <3), adotar uma gatinha que era gatinho (Marie, você é o Mário?), morar com uma suíça, um inglês e uma mexicana, ter crises existenciais, me apaixonar, conhecer gente muito foda, conhecer gente não tão foda, começar a trabalhar em uma empresa irada, mudar algumas concepções de mundo, entender mais da minha espiritualidade, entregar um apartamento sozinha, me mudar para um estúdio, me apaixonar novamente, experimentar novas experiências e limites e, por fim, me preparar para partir uma vez mais).  – Bertolucci, não quer fazer um filme da minha vida?

Foi tanta coisa, tanta história, tantos momentos, tudo tão… lindo e intenso! Mas é um capítulo que chegou ao fim. E é ai que eu quero chegar: o por que eu decidi que essa era a hora de partir.

Quando os nossos objetivos se tornam prioridade

Voltando à história acima, o momento chave em que percebi que era a hora de partir não se construiu do dia para a noite. Claro, eu tive um gatilho: recebi uma proposta para voltar para São Paulo. Mas isso foi apenas um reforço de tudo o que eu estava internalizando há muito tempo.

Para entender esse processo de internalização eu preciso contar para vocês dois momentos que vivi:

1. O momento em que “a grama do vizinho era sempre mais verde”

O primeiro momento aconteceu há cerca de 3 anos atrás (sim, já faz tempo. Por isso que eu te digo: assumir a sua decisão não é sempre fácil).

Em 2015 eu conheci um suíço numa festa a fantasia. Ele estava super animado para me conhecer, começamos a sair e tudo foi ficando mais sério. Beijinhos pra cá, saídas para lá, e na minha cabeça só se passava uma coisa: eu quero levar ele para São Paulo para ele me conhecer melhor.

Sim, eu nasci e cresci em terras paulistanas, mas não era só isso. Parte de mim começou a perceber que eu não me reconhecia aonde estava.

Eu tinha um ótimo emprego, morava sozinha, amigos incríveis mas… Ali não era o meu lugar.

Lembro da primeira vez que viemos para São Paulo juntos: os meus olhos brilharam! Eu tinha paixão e encanto em apresentar para ele cada cantinho da cidade – até desenvolvi um roteiro inteiro de coisas que a gente tinha que fazer quando aterrizasse. Eu queria mostrar para ele a minha vida.

Pode parecer esquisito isso, pois a minha vida – na teoria – estava em Floripa. Mas não era assim que meu sub-consciente via. Eu sempre achava São Paulo muito mais legal. Criticava a falta de diversidade, cultura, boemia e gastronomia de Floripa sem nem me perguntarem. Criticava, no fundo, o que eu estava fazendo naquele lugar.

E é aí que eu quero chegar: por muito tempo eu me sabotei ficando em um lugar que não me sentia confortável apenas por achar que era ali que eu devia estar. Era visível para qualquer um que me conhecesse, menos para mim.

2. O momento em que percebi que não precisava prestar mais contas para ninguém

Esse momento envolve duas partes: a primeira foi me assumir financeiramente e não ancorar mais as minhas escolhas no querer do meu pai (que me ajudava com a bolsa papai). A segunda envolve um término de namoro.

Parte 1: sobre meu pai.

Até o ano passado o meu pai sempre me ajudou financeiramente. Eu não me orgulhava muito disso e de certa forma sempre me senti muito presa no nosso relacionamento por achar que eu “devia” algo a ele.

Pode parecer besteira, mas não é.

Um dos pontos mais altos de 2017 foi a hora em que eu consegui virar para ele e falar: chega! Eu posso me bancar – e assim assumir para mim mesma que eu conseguia bancar as maravilhas e podridões de ser quem eu sou.

Eu pago minhas contas! – Foi algo muito simbólico, mas muito libertador. Vocês já sentiram que não deviam nada para ninguém? É incrível.

E ao fazer isso, eu ganhei tanta propriedade das minhas escolhas que admito: foi assustador. Mas ao mesmo tempo destravou tanta coisa que estava empacada dentro de mim. Era como receber uma massagem que desfaz todos aqueles nós que há anos estão nos dando uma dor nas costas terrível.

O ponto aqui é que ter a coragem de assumir seus quereres e vontades não é simples, mas deveria ser.

Para mim, eu precisei de um ato simbólico de romper a relação do dinheiro com o meu pai. Mas cada pessoa tem os seus gatilhos: descubra o seu.

Parte 2: sobre o meu término.

É engraçado como relacionamentos permeiam muitos gatilhos da nossa vida.

Eu, como boa libriana, já sofri e amei como se fosse o último amor da minha vida. Acontece, né? Enfim, vamos ao que interessa:

Um dia desses eu conheci um cara super legal, nos curtimos e acabamos namorando. Como todo namoro, tivemos nossos altos e baixos. É normal, somos pessoas no fim de tudo.

Mas o problema era que, de certa forma, eu nunca sentia que estava sendo eu mesma ao estar com ele.

Parecia que parte de mim sempre se limitava, se podava e se cobrava de ser “aquilo que eu tinha que ser”, enquanto eu não era.

Não vou me aprofundar nos pontos do relacionamento mas enfim… depois de um tempo nós terminamos, e minha grande motivação foi: eu amo a pessoa que eu sou, mas porque não consigo ser essa pessoa com ele?

Isso é intimamente ligado ao fato de me colocar, novamente, em uma situação de “prestar contas“. Eu sentia que eu sempre tinha que justificar a outra metade de mim que não se via confortável no relacionamento e isso me aprisionava.

Portanto, ao terminar, eu consegui ver o que realmente me importava naquele momento: eu mesma.

Você consegue ver como tudo isso se relaciona com identificar as suas prioridades e assumi-las? A única pessoa que consegue ver com clareza seus objetivos será sempre você – so own it!

Existem milhares de armadilhas e auto sabotagens que a nossa cabeça cria para nos fazer ficar em uma situação de desconforto – e eu compartilhei algumas das minhas.

A ajuda financeira do meu pai era ótima? Claro. Ter mais justificativas para voltar para São Paulo era legal? Muito. Mas tudo isso estava alinhado aos meus objetivos como pessoa e me tornava fiel ao que eu realmente queria? Não.

Isso sim é desconfortável.

E o que isso tem a ver com a hora de partir?

Tudo a  ver.

Saber olhar para dentro, identificar suas prioridades e o que te deixa desconfortável é a chave aqui. Exige, de novo, coragem.

E partir não é sinônimo de fim. É um sinônimo de passagem.

No dia 14 de abril eu estou retornando de mala e cuia para São Paulo, e tudo o que compartilhei até agora é para falar que eu tive muito aprendizado nesses últimos 5 anos. Me cobrei e amadureci muito, mas graças a diversas escolhas (e auto sabotagens também), eu consegui abrir os olhos para ver que chegou o momento de ir embora, virar a página, partir.

Tente aplicar esse pensamento em diferentes esferas da sua vida e veja como faz sentido. Um exemplo: sabe aquele cara/mina que você está conhecendo mas não tem nada a ver com você? Não tenha medo de sair fora. Ou então aquele emprego que te consome? Existem outras possibilidades mercado a fora.

As respostas estão sempre dentro de você, só resta saber: você quer assumi-las?

 

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