Sobre amores inteiros e a sua extinção.

Escute essa música ao som de Inoportuna – Jorge Drexler.

Ano novo, vida nova. Não é isso que diz o ditado?

Me tardei a voltar a escrever, eu sei. Podia culpar o tempo, as festas de fim de ano, as férias corridas, o trabalho, mas simplesmente culpo minha cabeça atordoada que não conseguia se decidir em apenas um tema para escrever e, assim, estagnei.

Hoje quero escrever sobre uma coisa que sempre converso em mesas de bar, entre amigos íntimos e fins de noite: vamos falar sobre amor.

O projeto do “My Bucket List Before 30” surgiu por conta de uma lista, de paixões e sonhos que constroem parte do meu imaginário emotivo. Mas, conforme fui escrevendo, percebi que o blog é bem maior que isso: é sobre compartilhar pensamentos, aflições, questionamentos e opiniões que muitas vezes nos limitam de sermos inteiros. É sobre aquele tipo de leitura que nos conforta em saber que não somos os únicos nesse mar de (tubarões) gente pensando e sentindo coisas reais.

Enfim, vamos ao que interessa:

Quando você pensa em amor, qual é a primeira coisa que aparece na sua cabeça?

Para muito de nós a primeira resposta reflete algo como o amor romântico, a metade da laranja, o amor “de par”, ou mesmo de múltiplas pessoas (sem julgamentos, please).

Note: a resposta vem, majoritariamente, acompanhada de um amor de duas pessoas, mas raramente pensamos no amor que vem de dentro, e sempre aquele que vem ou está externo à nós.

E assim você provavelmente me pergunta:

“Mas Giulia, qual é o problema em imaginar o amor como algo a dois? Algo a ser compartilhado e vivido com alguém que se quer bem, que “me complementa“, que “traz o melhor de mim“, que “me faz alguém melhor“, que “me faz feliz“?”

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O problema é que esse amor não é inteiro, e nunca vai ser.

A partir do momento em que depositamos no outro responsabilidades como: “nos fazer feliz”, “trazer o melhor de você” e etc., isso sempre implica que para você estar nesse sentimento, você depende de um fator externo (no caso, uma pessoa) que desperta tal estado dentro do seu coração (he).

E quando colocamos esse peso no amor, além de sempre trabalharmos com uma expectativa altíssima (diga-se de passagem) do que o outro irá nos proporcionar, também nos frustramos ainda mais rápido quando isso não acontece.

ACEITE MEU BEM: se o amor fosse conta de matemática, seria fácil.

Zygmunt Baumann fala muito sobre o amor líquido. #Haters a parte, eu acho esse discurso dele algo que realmente simboliza a nossa sociedade atual. Baumann fala o quanto vivemos em uma época de amores descartáveis e de pessoas cada vez mais infelizes devido à liquidez dos relacionamentos (nada mais se enraiza). E não é que é verdade?

Para explicar como essa lógica funciona, vou dar dois exemplos que muitos de nós já vivemos:

1. O caso do eterno apaixonado

Kevin era um cara muito maneiro. Vivia de bom humor, sorriso de orelha a orelha, com a playlist sempre tocando e repleto de gente ao seu lado. Kevin era uma cara bacana,
encantado pela vida e seus prazeres e… por se apaixonar. Kevin se apaixonava a cada esquina! Bastou caetanear, que ele já se desmanchava inteiro. Kevin já teve diversas namoradas, ficantes e amores de uma noite – dos beijos mais quentes aos sexos mais banais.

Kevin procurava o amor em toda pessoa que encontrava, e com isso esqueceu-se de olhar aonde ele realmente estava: dentro de si.

2. O caso do “eu nunca encontro alguém suficiente para a minha vida”

Jojo era uma garota daquelas que você perde o ar e esquece do tempo. Ela também, esquecia que o tempo passava (mas fazer o que, ele passa para todos). Jojo estava sempre “meio” feliz. “Meio” apaixonada. “Meio” amando. “Meio” querendo.

Ela sempre encontrou gente que era “meio” legal, “meio” bonita, “meio” feia. E de tanto ver metade no bocado de gente que passava, perdeu o ponto.

(haha sim, eu usei nome de funkeiros para contar dois continhos inventados – mas aceite, com uma temática dessas, nós temos que descontrair).

O que ambos os exemplos nos mostram, você consegue identificar?

Se não conseguiu, vem comigo que eu te ajudo: em ambos os casos, o amor projetado/buscado por Kevin e Jojo nunca estava dentro de si, mas sim, no outro.

O que acontece quando não identificamos o nosso *fucking self love*?

Acontece que sempre nos relacionaremos com aquilo que achamos que queremos, que buscamos, que nos faz feliz sem perceber que o que realmente vai nos tocar está *dentro dos nossos coraçõooooooesssss* ❤ haha que brega. (Mas é verdade).

O amor próprio é a resposta, fellas! Believe me. A gente só consegue amar o outro quando identifica que o maior amor do mundo, o que nos faz de fato feliz e nos desperta o melhor está, já, com a gente. Pachamama não nasceu ontem, meu bem. Onde você acha que ela esconderia o grande ouro da humanidade?

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E é ai que eu quero chegar! O título do meu blogpost é sobre o amor inteiro estar em extinção pois, por sempre nos relacionarmos com o amor externo a nós, nunca de fato compartilhamos amor – e sim nos relacionamos com a ideia dele e *PELA METADE*.

Amar por inteiro dá medo e não é fácil. Você acha que encarar nossa própria luz e nossa sombra é simples? E, ao ver tudo isso que está dentro de nós, você acha que é fácil
mostrar isso para o outro sem o medo de que ele vá correr assustado? Rapadura é doce mas não é mole, não! É DIFÍCIL. DÁ MEDO. DÁ UM MEDO FILHO DA PUTA. E é por isso que preferimos, muitas vezes, nos manter no status quo de “meio” relacionamento – pois a responsabilidade de nos fazer feliz não está dentro de nós, mas sim, no outro.

Se o meu blog nasceu com o propósito de falar sobre o medo nas coisas do dia a dia, eu admito: o medo de se mostrar inteiro é, por vezes, um dos mais difíceis de se superar. Estamos tão acomodados na ideia de nos relacionarmos pela metade, que fugimos na primeira piscada de um amor maior que esse.

Enfim…

O amor não é soma, é compartilhamento. Compartilho o meu eu com o seu eu e assim a gente se (re)descobre e fica ainda mais feliz. Você arca com os seus medos, suas angústias, suas projeções… e eu arco com as minhas! E tá tudo bem 🙂 Pois nos temos como apoio – mas não como muleta.

Talvez eu tenha rodopiado bastante para chegar no mesmo lugar, mas o fim da história de hoje é que o amor de verdade dá trabalho. Tem raízes. E vem de dentro.

Portanto se encontrá-lo, lembre-se: aproveite, pois ele é raro.

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