Sobre pessoas incríveis (e onde encontrá-las).

Sugestão: leia esse post ao som de Kodaline – All I Want.

Você já imaginou quantas pessoas deixa de conhecer simplesmente por elas serem diferentes daquilo que você está acostumado ou não parecem fazer o seu “estilo”? Bom… É justamente sobre isso que vou escrever hoje.

Eu sempre fui, desde pequena, uma pessoa muito aberta a conhecer novas pessoas. Acho lindo a conexão de conhecer alguém pela primeira vez e descobrir que existe um universo inteiro de trocas nesse relacionamento que ali nasce. Pode ser por isso que tenho amigos de quase todos os tipos e em muitos lugares, e já conheci gentx de tudo o que você possa imaginar (até mesmo um atendente de Burger King da Noruega que conseguiu sair da Coréia do Norte – e isso rendeu uma ótima história!).

Mas é claro que com o tempo começamos a limitar essas aberturas (what a stupid thing, brain), e até tem um artigo que fala que com o passar dos anos a nossa mente realmente tem mais dificuldade em conhecer coisas/pessoas/comidas/lugares novos, pelo fato de começamos a colocar mais filtros e criamos mais barreiras para o aprendizado do novo.

E aí você me pergunta: mas Giulia, que tipos de barreiras e filtros?

Lembrando que estou interpretando tudo isso sob a ótica de pessoas, escolhi 3 barreiras para discorrer. Vamos lá:

1. A barreira de “que pessoa esquisita”

Esquisita. Essa é uma das minhas palavras favoritas! Acho ela engraçada e me lembra uma minhoca sambando no carnaval (hahahaha é verdade). Mas uma minhoca dançando no carnaval seria algo incrível, e eu definitivamente gostaria de conhecer essa peça. Porém…

Muitas pessoas vêem no esquisito o negativo.

Um exemplo disso é a cidade de San Francisco. Como falei em meu último post, estou nas terras do tio Sam desenvolvendo um projeto pela minha empresa – e, claro, conhecendo essa cidade incrível e suas particularidades.

Em uma das primeiras vezes que saí pela cidade conheci uma mulher chamada Rashmi. Ela se apresentou como “Rush Me”, por já estar acostumada a muitas pessoas não entenderem o seu nome de origem indiana. Eu dei risada e falei: Rashmi, nice to meet you.

Rashmi é vendedora de uma empresa bem legal chamada LeadGenius (isso não é um post patrocinado – e eles já tem data base no Brasil aliás rs.). Por ser vendedora, ela é ótima com pessoas! E, normalmente, quem é ótimo com pessoas tem um dom bem bacana: são bons entendedores.

Entre um gin tonic e outro, Rashmi percebeu que eu não seria Lead qualificado para a empresa, mas que seria Lead qualificado para o seu círculo social (sim, vou falar sobre isso no próximo ponto), e então começou a me contar um pouco sobre o mito da cidade esquisita.

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Muitos de vocês talvez não sabem e – novidade – eu também não sabia. Mas San Francisco é conhecida como a cidade das pessoas esquisitas.

Pode ser que seja pelo movimento hippie ter começado aqui, com muito Beatles, Joplin, Zeppelin, Strawberry Fields e um bocado de LSD, ou talvez seja apenas porque as pessoas se sentem confortáveis em ser quem realmente são. Loucos –  você diz? Eu digo: let them be.

Conforme os anos foram passando, a cidade foi crescendo e a música e o amor livre foram… bom, ficando mais reservados. E assim novos prédios foram surgindo, novas idéias se espalhando e BOOM! Ocorreu a explosão tecnológica (mais especificadamente em 95, com a ultra valorização da Netscape).

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(Digamos que era um tipo totalmente diferente do que consideramos tecnologia mas… Mamma mia! That was a revolution)

Com a explosão tecnológica, novas tribos começaram a habitar a praia dos surfistas e artistas – tribos que adoravam telas de todos os tamanho (e preços). Foi aí que muitas empresas nasceram/se fortaleceram e mudaram a forma como consumimos e vemos o mundo – Apple que o diga, né?

E aí, a cidade que era até então conhecida pelas roupas tie die coloridas, começou a ver mais blazers do que baseados. Digamos que a paleta de cores resolveu se tornar um pouco mais comportada e minimalista.

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Sim, a cidade mudou. Mas e as pessoas? Realmente mudaram? Ou simplesmente colocaram uma camisa social?

O que Rashmi me disse é que a cidade de San Francisco é weird. Ela é feita de pessoas weirds. Mas quando pesquisamos sobre SF, encontramos notícias sobre o vale do silício, UBER, Google (que, só por curiosidade, nem é na própria cidade) e etc. Mas e a essência da cidade?

Existe um fato muito curioso em SF que é a quantidade de pessoas sem casa e drogados em plena luz do dia – no meio da rua. É um número impressionante (cerca de 8.000 pessoas). E são pessoas que em muitos casos foram desabrigados após o boom tecnológico e hoje em dia se tornaram a escória da sociedade.

Ou seja… Os weirds do começo de tudo, hoje em dia se tornaram ainda mais weird pois, além de não se enquadrarem no novo ritmo, muitas vezes tem que recorrer a rotas de fuga da realidade para escaparem da dor da inaceitação. Quem é o esquisito nessa história?

Segundo o dicionário, esquisito é:

esquisito
adjetivo
  1. 1.
    encontrado com dificuldade; raro, precioso, fino.
  2. 2.
    p.ext. desconhecido, estranho, exótico.

E eu te pergunto:  porque hoje em dia o esquisito é ruim? Ou ainda, porque o diferente é ruim também? Por que negamos o esquisito dentro de nós? Pois, convenhamos, todos nós temos aquela mania bizarra e que mantemos a 7 chaves por medo de sermos julgados. (Mundo, eu tento te entender, eu juro).

Essa é a primeira barreira. A barreira do esquisito. A barreira de ver o diferente como algo ruim, e não apenas diferente.

2. A barreira de “que pessoa feia”

Pessoa feia. Com certeza ao ouvir isso alguma imagem vêm à sua cabeça, não é mesmo?

Todos nós temos padrões mentais. Muitos destes foram insituídos por formação social ou incentivos da mídia (Hollywood, seria essa você? Shame on you), e TÁ TUDO BEM! O seu feio é diferente do meu feio, que é diferente do feio de um monte de gente e vida que segue.

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O problema do feio é quando ele é impositivo. Uma pessoa é feia e ponto. Ponto? É isso? Deu da pessoa? Ela é só feia? Ela é uma forma como você interpreta uma imagem e é isso que define ela?

Você consegue se ouvir ao questionar todos esses pontos? Faz algum sentido? Provavelmente não, e é justamente por isso que eu trouxe isso como uma das barreiras para conhecer pessoas incríveis.

Beleza física é algo muito subjetivo – e que passa. Mas ao invés de romantizarmos sobre o que beleza realmente é (temos as campanhas da Dove para isso), hoje eu quero ver o outro lado: o lado feio.

Quando eu era mais nova eu tinha medo do feio. Eu juro – e me envergonho. Eu achava o feio um… monstro. Claro, era isso que os filmes e livros caracterizam como monstro. A linguagem utilizava de componentes físicos para distorcer o bem e o mau.

Foi muito difícil romper a barreira do feio enquanto monstro. Eu admito que até hoje ainda me encaro julgando o “meu feio”, e isso leva a muitas perdas e exclusões. Que merda né? Enfim.

O feio para mim pode ser muito simbolizado pelo filme do Beauty and the Beast. Em todas as versões já produzidas do filmes, Bela (Beauty) é uma rapariga bonitinha que se apaixona pela Fera (Beast – que é besta em português, mas acho que iam confundir com o diabo nessa país religioso que temos). Só que Bela, mesmo se assustando ao ver a Fera pela primeira vez, percebe que a primeira impressão é apenas a superfície, a ponta de um iceberg inteiro.

E ela se joga nesse oceano – que medo! – e descobre algo muito mais profundo e especial do que o olho nu veria. Viu uma pessoa.

Podem me chamar de criança Disney, mas eu realmente acho lindo o conto da Bela e a Fera, pois mostra que o feio é só uma percepção. E uma pessoa tem muitas outras percepções que apenas a primeira.

Com isso, eu te pergunto: você está disposto a mergulhar, ou vai querer ver somente a ponta dos icebergs?

3. A barreira de “que pessoa de outro mundo”

Cara, essa barreira pra mim é a barreira mais legal de cruzar! Mas, para muitos, é também a mais difícil.

Uma pessoa de outro mundo… Pode ser porque eu sempre fui meio ligada no universo e torci fortemente para que coisas como Matrix, Gnomos, Fadas, Bruxas e etc. fossem verdadeiras, mas o outro mundo nunca me assustou. (Claro, viajar em uma espaçonave deve ser algo MUITO LOUCO, mas medo? Não.).

O que é uma pessoa de outro mundo para você? Me conta.

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(E.T. hahahahaha eu posso ser muito óbvia, mas esse GIF é demais)

Brincadeiras a parte, uma pessoa de outro mundo é uma frase muito utilizada para quando uma pessoa é diferente daquilo que você está acostumado. Pode ser por conta da roupa, do cabelo, da forma de falar, de agir, do sotaque… Enfim, tantas variáveis que eu poderia ficar aqui o dia inteiro relatando motivos que caracterizam pessoas “de outro mundo”.

Como eu falei no começo do post, eu sempre fui muito estimulada desde criança a conhecer pessoas fora “da minha bolha”. Com 11 anos me tornei membro do CISV, uma organização em prol da paz mundial por meio de amizades globais. Aos 14, fui enviada para INDONÉSIA (obs. com 14 anos, eu achava que a Indonésia ficava na Europa. É sério.), para morar 1 mês na casa de uma família indonésia. Se tinha um lugar diferentão para me mandar, acertaram. E acertaram mesmo, pois foi uma das experiências mais marcantes da minha vida!

Sopa de cabeça de peixe no café da manhã? Comemos. Pimenta? Teve. Fuso de +13h? Definitivamente. Uma língua diferente? Totalmente. Religião? Também. Pessoas incríveis? Com certeza.

Com 14 anos a maioria de nós está naquela fase LEGAL que se chama adolescência. É aí que grande parte das pessoas aprende a ser cri cri com a vida e julgar a tudo e todos ao seu redor. E, no meio disso tudo, eu fui mandada para o outro lado do mundo. QUE VIAGEM!

Literalmente… Que viagem! Acho que esse foi um dos pontos mais marcantes da minha vida, pois me fez botar a cara no sol da realidade e ver que existe muita coisa diferente e legal além do que podemos ver – e conhecer.

Foi desafiador a primeira vista? Não vou mentir, foi. Mas ao baixar a rédea e abrir os braços para o universo de possibilidades que ali se instaurava, vi que tinha muito mais o que ganhar do que perder.

Eu dei um exemplo bem excepcional, eu sei, mas o ponto é que não precisamos sair do nosso país, cidade, ou mesmo casa para estarmos dispostos a se abrir para o “outro mundo”. O outro mundo é legal, vem gente!

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Uma outra história que simboliza um pouco de conhecer o outro mundo tem tudo a ver com San Francisco e começa, bom… no meu trabalho. Eu fui selecionada para vir para esse projeto com mais 2 pessoas da minha empresa, o Paulo e o Marcel (até pensei em colocar nomes fictícios como Paul e Marc, mas acho que eles iam sacar de toda forma rs).

O Paulo e Marcel sempre foram amigos de amigos meus, mas a gente nunca realmente trocou ideia antes de vir pra cá. E o Paulo, o mais engraçado de tudo, é que um mês antes de sair a seleção do projeto, eu mudei para o mesmo condomínio que ele: para ser vizinha de porta.

Se o destino já estava me colocando perto dele, eu não sabia, mas o que eu sabia é que eu considerava o Paulo uma pessoa bem diferente de mim. Eu sou super extrovertida – Paulo é introvertido. Eu sou baladeira – Paulo é caseiro. Eu sou meio louca – Paulo é meio racional. E os comparativos poderiam continuar, mas esse não é o foco.

O foco é que assim que nos encontramos, nós 3, no aeroporto de São Paulo com as malas prontas para embarcar pros USA, uma ficha caiu: estavámos os 3 vulneráveis, longe de família e amigos, indo para uma cidade que nenhum de nós conhecia.

Logo no avião já foi uma aventura. Rimos e nos divertimos até chegarmos ao México – imigração desordenada de mais de 3 horas de fila. O que fazer quando se está com 2 pessoas que você pouco conhece, com pouco espaço para se mover e horas para passar? Você os conhece.

E assim que chegamos a SF já vimos uma coisa: não eramos mais apenas pessoas, mas sim amigos.

A cada dia que passou, 3 colegas de empresa completamente diferentes começaram a identificar em si vários pontos em comum e aberturas inesperadas para consolidar amizades verdadeiras. Amizade do tipo: chega em casa que eu cozinho pra gente! Ou do tipo: vamos tomar uma cerveja hoje? Que no fim se tornam 3 e com um hamburger mexicano ao fim.

Resumo: não tenha medo de sair da bolha e conhecer quem parece não ser do seu mundo. No fim das contas, todos somos do mesmo :).

Assim como falei no começo do post, Rashmi me “qualificou” como possível amiga ao conversar comigo. Eu entendo: somos humanos e fazemos esse tipo de coisas para ver se a pessoa “combina” ou não com a gente. Mas o quanto será que não deixamos de ver ou conhecer ao fazer isso?

Pessoas incríveis estão em todos os lugares, classes sociais, cores, sexos, gostos e diferenças. Basta saber notar – e abraçar o novo!

Eu tenho um mantra que é saber me virar em qualquer lugar que vou sozinha, pois sei que no fim das contas sempre vou encontrar boas companhias para extrair o melhor de toda situação.

E você, já encontrou alguém incrível hoje?

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2 Comments

  1. Ótimo texto, vi no meu feed do face e apenas cliquei porque já me identifiquei de cara com o título… Depois que fui ver que é seu sua linda kkkkkkkkkkkkk. A gente é muito igual e se acho a pessoa estranha “weird” já sei que vou gostar dela. Bom saber que você continua com a mesma luz e alegria =P
    Saudades.

    Magno

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    1. Ma, obrigada pelo comentário! Realmente somos muito parecidos (minha metade masculina, sempre!). E estou morrendo de saudades ❤ Por mais pessoas weird e de outro mundo nas nossas vidas, por favor! Beijos

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