Precisamos falar sobre responsabilidade afetiva

O quanto eu te falei

Que isso vai mudar

Motivo eu nunca dei

Você me avisar, me ensinar

Falar do que foi pra você

Não vai me livrar de viver

Quem é mais sentimental que eu?

Eu disse e nem assim se pôde evitar

Sentimental – Los Hermanos

O meu post de hoje começa com um trecho do Los Hermanos. Quis trazer essa passagem pois ela se relaciona diretamente com o que quis me propôr a refletir com vocês: responsabilidade afetiva.

Nos últimos tempos tenho tentado entender o que ser responsável afetivamente significa. Vi alguns filmes, lí artigos, ouvi músicas, conversei com amigos, e percebi que existem mais perguntas do que respostas para esse tema. Fomos tão domesticados a viver relacionamentos de uma determinada maneira, que nem paramos para nos questionar sobre isso. O problema é que essa tal de responsabilidade muitas vezes fica de fora da nossa lógica de se relacionar – e digamos que isso torna tudo um pouco mais complicado.

Então vamos começar do começo. E por começo digo começos de relacionamentos.

Esses dias fui assistir um Stand Up na Netflix da comediante americana Iliza Shlesinger, chamado “Elder Millennial”. O show inteiro é cômico, e vale muito a pena assistir, pois além de ser uma feminista de carteirinha, ela ainda reflete sobre várias questões de como agimos na vida, com foco exclusivo para os tabus sociais.

Mas a passagem que eu mais gostei foi quando ela fala sobre a forma como entramos em novos relacionamentos – e é genial!

Iliza retrata a seguinte cena: conhecemos uma nova pessoa. “Eba! Que empolgante! Deixe eu pegar todas as cargas de relacionamentos passados, colocar na minha bagagem afetiva, e… Querido! Cheguei!”.

(A cena toda é muito engraçada, pois ela simboliza as nossas cargas como “pequenas caixinhas”, que somadas se tornam um grande e pesado fardo)

O que a comediante retratou pode parecer engraçado, mas no fundo é uma bela crítica ao que todos fazemos ao ingressar em um novo capítulo – nós simplesmente pegamos tudo aquilo que já vivemos e despejamos em uma pessoa que ainda nem conhecemos direito. Todas as nossas cicatrizes mal cicatrizadas, todos os nós na garganta, todos os pés na bunda e frustrações são deliberadamente trazidos para “escrevermos uma nova história”.

Eu não sei se a crítica fica clara para todos (como comentei no início do post, fomos domesticados a nem pensar sobre isso), então vou tentar explicar sob o meu ponto de vista:

Você conheceu uma nova pessoa. O encontro foi incrível, cheio de risadas, conversas eternas e planos mágicos. As coisas começam a ficar mais interessantes, vocês continuam a sair e tudo vai ficando mais sério. Na sua cabeça, tudo o que você já viveu no passado terminou. Aquele sentimento de empolgação e ansiedade batem forte no peito, e os laços vão se estreitando. E aí, vocês resolvem namorar.

FO-DEU.

(RED ALARM!!!!)

O que acontece em muitos casos é que a ideia de viver algo completamente novo é tão bonita que não nos preocupamos em entender o que estamos trazendo à mesa. Como diria minha taróloga preferida, Paula Prado, existe uma frase que deveria ser lema na cabeça de todo santo indivíduo na galáxia: “Eu sei o banquete que eu sirvo. Se não quiser ficar, eu não tenho medo de comer sozinha”. Mas será que a gente realmente sabe o que serve? E principalmente, será que o que estamos oferecendo é de fato um banquete, ou é aquele big mac de propaganda enganosa?

Na maioria dos casos, o big mac prevalece. Só que a outra pessoa está com tanta vontade de sentar naquela mesa com você, e você já atiçou tanta curiosidade sobre o tal do banquete, que ela vai sem nem pensar. Malditos marqueteiros.

E aí é dito e feito: dor de barriga. No caso do relacionamento serve o que você quiser pensar como metáfora para dor de barriga – brigas, frustrações e quebra de expectativa. Poxa, eu queria tanto aquele big mac lindo que os milhares de anúncios e propagandas me apresentaram, por que raios eu não fui pensar antes de comer?

Porque, queridos amigos, o tio Mc não quer que você saiba a realidade. Simples assim.

(Risada malvada ao fundo)

No dia a dia, nós somos tanto Ronald McDonald como quem compra o Big Mac. Mas eu normalmente falo muito sobre o papel de quem está do outro lado da mesa, e esse post tem mais a ver com quem oferece algo (vulgo, nós).

Se todo mundo tivesse plena consciência e responsabilidade do que está oferecendo ao outro ao ingressar em um novo relacionamento, as coisas seriam mais simples. É claro que toda a nossa bagagem emocional ainda vai existir, ela constitui quem somos. Mas essa bagagem não tem que se tornar a base de uma nova relação. Até porque, ao fazermos isso já fodemos com todo o novo que está para acontecer, pois ficamos presos a comportamentos e padrões de histórias do passado, sem perceber que isso é a coisa mais tóxica que podemos fazer ao outro.

O que eu quero dizer aqui é que é claro que vamos trazer partes essenciais de nós que foram criadas a partir de fatos do passado. Mas o que normalmente acontece é que ao invés de levarmos as coisas boas, nos prendemos em amarras desenvolvidas a partir das coisas ruins. Por isso que a maioria de nós sente que se meteu em uma armadilha depois que a máscara caí: because honey, it is a trap.

Como se tornar um ser humano melhor e não criar armadilhas afetivas

Primeiramente: pare! (Pegue o bumbum).

Literalmente, pare. Pare que a coisa tá feia. Agora respira fundo, e vamos lá.

Quando foi a última vez que você se perguntou sobre o que você gostaria de levar para um novo relacionamento? É muito importante apontar que normalmente nos perguntamos o que queremos de uma relação, e não o que vamos oferecer.

Esse é o primeiro passo.

Imagine que você vai preparar um banquete para alguém que você gosta muito. Quais são os ingredientes que você vai usar? Você vai seguir alguma receita? Quão cuidadoso você vai ser com o processo? Se é um banquete para alguém que eu gosto tanto, eu realmente tenho que preparar tudo com tanta pressa?

Metáforas à parte, o ponto aqui é refletir sobre quem você é e o que faz sentido levar à mesa quando nos propomos a se envolver com alguém.

Às vezes, você ainda não tem os ingredientes suficientes para preparar aquele banquete incrível: e tá tudo bem. Se dê esse tempo que é tão sagrado e tão seu.

A responsabilidade afetiva nasce daí. De olhar pra dentro e perceber se você está pronto ou não para abrir as portas da sua casa para alguém. E quando estiver pronto, aja com consciência e com respeito – com você e com o próximo.

A gente sabe que quando alguém vai conhecer a nossa casa, queremos fazer um tour por todos os quartos e cômodos, mostrar as fotos de quando éramos crianças, aquele livro de desenho rabiscado, os jardins floridos e etc. Mas existem certas coisas que são só nossas, e que não precisamos sair por aí despejando no outro. E também existem outras, que com o tempo a gente mostra do jeito certo (com calma e espaço para isso).

O segundo passo tem a ver com desapego: ato de deixar para trás.

A maneira como apresentamos a nossa bagagem importa, mas existe algo prévio a isso que é entender o que realmente tem que ser parte daquele novo relacionamento, ou que podemos simplesmente deixar para trás.

Um exemplo é a insegurança emocional. Vamos supor que você já tenha levado alguns pés na bunda, e isso te tornou mais rígido e menos crente no amor. Aquele brilho que as paixões dos vinte anos tinham já parecem não ter mais graça, e toda vez que uma pessoa nova aparece bate aquele mesmo pensamento: xi, já sei o que vai dar. Melhor nem tentar.

Meu bem, acorda: você não está nem se dando a chance de dar certo pois já ingressa pensando no fim. Como ter um relacionamento espontâneo e gostoso, quando já não vemos nem graça naquilo tudo?

Se envolver dá medo pra caralho. Não é fácil! Mas se continuamos a fazer as coisas sempre iguais, elas vão continuar sendo iguais.

Não estou falando que você tem que deixar de ser inseguro emocionalmente do dia para a noite, mas se você não se sente pronto para se envolver, busque trabalhar isso dentro de você antes de se abrir para uma nova pessoa. Você poupa o seu sofrimento e o do outro também.

Relacionamento não são fáceis, e eu estou longe de ser profissional nisso. Mas a cada dia tenho tentado realizar o exercício de me questionar e me entender. Faça esse bem para o mundo também 🙂

Se todos nós sairmos um pouquinho do ego e das nossas próprias bolhas, veremos que as coisas são muito mais simples do que parecem. Só é preciso dar o primeiro passo.

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Qual é a graça da história?

Leia esse post ao som de Shooting Stars – Bag Raiders.

Faz um tempinho que não escrevo por aqui. Voltar a viver em São Paulo pode ser um tanto quanto complexo, pois as milhares de oportunidades entre caos e tranquilidade aparecem constantemente no seu dia a dia. E a escrita acabou ficando de lado dentre as escolhas – mas resolvi voltar 😉

Hoje quero escrever sobre algo que volta e meia me pergunto e acredito que muitos de vocês também: qual é a graça da história?

Por história podemos refletir a partir de diferentes perspectivas: a história da sua vida, das suas conquistas, das viagens, dos sonhos… Enfim! Daquilo que vivemos e experienciamos nessa passagem pelo mundo.

E para começar a falar sobre isso, queria compartilhar com vocês da onde surgiu essa pergunta e, como sempre, isso vem acompanhado também de uma história.

Eu sempre namorei muito na minha vida. E todos os meus períodos de ser solteira acabaram se tornando fonte de muito aprendizado, muitas vezes maiores do que quando eu tinha um parceiro ao meu lado. E claro que esses aprendizados não vieram do nada: vieram de questionamento, de erros, de acertos, de carências profundas e de desapegos mais profundos ainda.

Terminei o meu último namoro em Outubro do ano passado, e desde então tentei olhar para algumas questões que me motivavam a querer estar em um relacionamento, e também a pensar em algo que vêm até mesmo antes disso: o envolvimento no jogo da conquista.

E o problema do jogo da conquista é exatamente esse – ele é um jogo. E eu sempre fui péssima com jogos! Já tentei jogar Volêi, futebol, handball, tênis… Essas coisas muito cheias de regras me deixam maluca. Tem que estar em determinada posição, fazer o passe X, bloquear o passe Y, pensar constantemente na estratégia e, claro, ter foco na vitória.

Fica claro como envolver algo tão orgânico quanto um relacionamento dentro da lógica de um jogo é extremamente racional? O que era para ser livre se torna engessado, amarrado e com todas as expectativas e surpresas organizadas.

E é nesse ponto que eu queria chegar: quando nos preocupamos em roteirizar todos os capítulos e envolvimentos da nossa vida a graça some.

Estamos tão focados em vencer o próximo jogo, que:

  1. Não aproveitamos o momento que estamos vivendo.
  2. Sempre tem algo melhor ou maior para conquistar.
  3. Ficamos constantemente num misto de excitação e frustramento.

Um exemplo disso é a copa do mundo. O povo brasileiro inteiro se mobilizou para torcer para o Brasil conquistar o hexa. A cada jogo, uma ansiedade maior! Bares lotados, churrascos semanais, amigos de longa data reunidos e um único objetivo: tocou Neymar é gol (no caso, tocou Neymar, tombou. Mas vocês entenderam). O momento estava lindo! As cidades vestiram suas calçadas do melhor verde e amarelo e o árbitro apitou início do jogo.

O problema se deu quando o Brasil perdeu. Assim que o time de orgulho nacional recebeu duas goleadas da Bélgica e se desclassificou do maior torneio mundial de futebol, o sonho acabou. A partir daquele momento, os bares esvaziaram, os churrascos voltaram para um domingo de sol e os amigos retornaram para o status de “vamos marcar!”. Toda aquela expectativa em busca da 6a estrela se transformou em frustração em um simples momento. E o que salvava o brasileiro de uma completa decepção? “Não se preocupa amigo, em 2022 tem de novo e aí nós vamos ganhar!”.

Ou seja, todo aquele momento bacana vivido durante os dias de jogo foram ignorados e substituídos pela imagem de uma perda. E ao invés de ficarmos felizes pela quantidade de sorrisos e risadas trocados durante os 90 minutos de jogo, mais nos preocupávamos com a estratégia, escalação e técnico que iriam em campo daqui a 4 fucking anos.

Não considerem que tenho algo contra pela copa – pelo o contrário, eu adoro! Mas a lógica de envolvimento e decepção retratados acima é um espelho do que fazemos constantemente em nossas vidas.

E aí toda a graça se perde da história. “Perdemos, né? Qual é a graça?”

Pensando nisso, e voltando para o assunto de conquista, eu te pergunto: como se relacionar em um mundo em que vivemos coisas com expectativas e planos estabelecidos e no caso de uma goleada contrária: frustração? (Mas segue para a próxima, porque né? Vida que segue).

Deve ser por isso que o consumo de séries aumentou significantemente nos últimos anos e o Netflix explodiu em número de assinaturas.

As nossas histórias perderam a graça.

Agora é muito mais emocionante idealizarmos um romance como Rachel e Ross, mas nos portarmos como Joey (que nos fim das contas é extremamente imaturo emocionalmente e vive no delírio do medo de se comprometer). E, enquanto isso, ainda nos sentirmos preenchidos quando – na telinha – as coisas estão indo tudo bem.

Vocês conseguem acompanhar a bizarrice que isso se torna?

A cada dia mais e mais pessoas compartilham de um estilo de vida em que se preza o “viver como se não houvesse o amanhã”, ao mesmo tempo que se idealiza que o hoje seja uma epopéia Hollywoodiana.

O problema de sempre buscar por epopéias Hollywoodianas é que nós somos deseducados a valorizar o acaso, o meio, o que está fora do script. E um sucesso de bilheteria é feito para entreter, para divertir, para passar o tempo.

Por isso, um dos meus maiores aprendizados nessa nova fase solteira é não seguir o script. Deu vontade de ver? Falar? Ficar puta? Demonstrar felicidade? Faça.

A fórmula é não ter fórmula. E isso não é fácil!

Fomos tão domesticados a calcular minusciosamente cada passo e reação que teremos, que ficar sem planos chega a ser aterrorizante.

Você começa a ver que é difícil ser rebelde, pois a maioria das pessoas não está pronta para isso. Como assim você me mandou uma mensagem? Que louca! (Pois que mais loucos se assumam também.)

Quando deixamos de programar a graça das coisas e começamos a ser mais espontâneos e genuínos no que estamos vivendo e sentindo, aí sim vemos graça na história.

Tente lembrar uma das coisas que mais te fez feliz em todos esses anos de planeta terra. Você já sabia o que ia fazer, como ia reagir, como seriam os capítulos depois de viver aquela experiência?

Um exemplo que tenho foi quando pulei de Paraglyde. Eu estava numa ressaca maldita no dia, em pleno verão francês, com pouco euros no bolso e uma cidadezinha muito charmosa ao meu redor. O principal atrativo era o salto das montanhas. Alguns amigos começaram a se reunir para voar, e na hora eu nem pensei: simplesmente falei que ia também. E foi a melhor decisão que tive – a de não pensar em todo o perigo e o desespero da minha mãe se soubesse o que eu estava fazendo – e simplesmente seguir aquilo que eu achava que era certo no momento.

Eu poderia me frustrar? Claro, como com tudo na vida. Mas o caso foi o contrário, e essa se tornou uma das experiências mais marcantes que vivi nos últimos 26 anos.

Um outro caso também foi quando eu disse o primeiro eu te amo para um ex-namorado. A gente foi se relacionando aos pouquinhos, se conhecendo, se aprofundando, sem certo ou errado. Não tinha pressão de definir o que éramos ou o que seríamos, e o sentimento foi se tornando algo muito natural. Até o dia em que eu fui visitá-lo e lembro que estava sentindo algo muito forte no meu peito – seria um ataque cardíaco? rs. E voltando de um passeio com ele, em pleno inverno europeu, lembro de deitar no peito dele e perguntar: você gosta tipo muito de mim? E ele: sim, muito. E eu: muito tipo quanto? E ele: muito tipo muito. Aí eu: muito tipo muito tipo amor? E ele: sim. Eu amo você, Giulia.

(Sim, eu sei que 500 dias com ela não é um filme de amor, mas essa cena é linda!)

Foi tão incrível e tão emocionante, que nem mesmo se eu tivesse planejado o eu te amo mais poético do mundo não chegaria aos pés do que vivi. Foi o que tinha que ser. Sem direção de cena ou fala programada.

Por isso, depois de muito refletir aqui em meio à experiências, palavras e pensamentos, eu te pergunto: que tipo de história você quer viver? O que guia o seu script? Quanto de graça você tem deixado acontecer na sua vida?

A única pessoa responsável pelo seu final feliz é você.

Sobre se conectar com leveza.

Leia esse post ao som de Beirut – The Concunbine

Eu admito para vocês que o meu real sentimento hoje era de escrever sobre despedidas. Porém, como meu último post já foi sobre partidas, imaginei que ia ficar um tanto quanto triste e nostálgico esse blog. Então essa postagem fica para depois 😉

Para começar a falar sobre conexões e leveza, tenho que trazer o contexto e a perspectiva oposta que me motivam a escrever sobre esse tema.

O contexto

Eu sempre fui uma pessoa muito sensitiva. Dizem os mais espiritualizados que isso é sintoma de muita empatia. Pode ser? Pode. Mas isso não diminui o que é sentir tudo e todos com muita intensidade e a todo momento.

É engraçado como o ser humano é um bicho extraordinário. Possuímos uma capacidade que muitas vezes está mascarada dentro de nós que é ver além do que os olhos enxergam.  (Podem me chamar de brega. Eu banco a bronca :P).

Você já sentiu como se entendesse tudo sobre uma pessoa simplesmente por olhar para ela? Sabe o que é sentir os medos, frustrações, amores, intensidades, incertezas, caos, estabilidade e tudo o que o coração tem para oferecer? É isso que eu sinto. E isso aflora, principalmente, quando eu estou mais vulnerável.

Por muito tempo eu não sabia direito o que fazer com tudo isso. Na maioria das vezes, eu falava para a pessoa tudo aquilo que ela estava emitindo, e seguia em frente.

O problema? É que nem sempre tudo o que a pessoa está sentindo é aquilo que ela quer te deixar ver.

As coisas bonitas são deliciosas de compartilharmos. As feias? Nem tanto.

Agora se coloque no meu lugar, de alguém que não enxergava aquilo como feio: sempre enxerguei como humano. Só que até mesmo essa consciência é algo que a vida nos presenteia, e vem com o tempo – não é da noite pro dia.

Dito isso, eu admito para vocês que já passei alguns limites por não saber até onde ir com aquela informação que eu recebia. Já tive pessoas que se encantaram, já tive pessoas que fugiram correndo daquilo que era compartilhado. É normal. E também é quebrando a cara que a gente entende que temos que compreender o momento da pessoa, e que mesmo vendo aquele universo inteiro dentro dela, há de se criar um espaço de segurança e conforto para que certas coisas venham à tona.

Talvez o que eu compartilho hoje com vocês seja algo muito íntimo – e percebam que isso acontece pois esse blog é meu lugar de segurança. Foi algo que eu construí pouco a pouco para, então, introduzir assuntos um pouco mais profundos.

E como todo post meu tem alguma história para contar, vamos à de hoje e como ela revolucionou a minha forma de enxergar e me relacionar com as pessoas.

A perspectiva oposta da leveza

Há um tempo atrás eu ficava com um cara, e era muito diferente ficar com ele. Na época, eu estava começando a perceber o mundo de informações que chegavam para mim, e claro, compartilhava com ele.

Não sei como esse cara ficou tantas vezes comigo, eu juro. Eu espremia o inconsciente dele todas as vezes que a gente saía. Falava sobre os relacionamentos mau acabados, sobre a forma de enxergar a família, trabalho e amigos. (Caralho, até eu admito que eu devia ser um pé no saco. Se você era esse cara e está se reconhecendo no post – me perdoa! Agora, se você é uma mina/cara que já fez isso com alguém – meu bem, chegou a hora de reconhecer que isso nem sempre é legal. Combinado?)

Enfim, acho que ali era um teste que a vida tava fazendo comigo, só podia ser. Mas o que acontece é que em algum momento a gente parou de ficar, e vida que segue.

Essa situação aconteceu pelo menos mais algumas várias vezes na minha vida. Fosse com amigos, ficantes, namorados, família – o que fosse. Minha irmã até me zoava falando: Giulia, porque você sempre chega em uns assuntos tão profundos com as pessoas que conversa? Isso é um papo de bar, não um divã. (É Carolina, você sempre teve razão).

Nota: é importante que fique claro que ter relacionamentos com intensidade e profundidade não é errado, de forma alguma. Mas existem pessoas e momentos certos para isso, e reconhecê-los é exatamente sobre o que eu escrevo hoje.

A mudança de mindset

Eu fui reconhecer que fazia esse tipo de coisa e que o que era pra ser legal muitas vezes se tornava um incômodo só na semana passada. Eu sempre achava que compartilhar a intensidade das pessoas era a melhor forma de me aproximar delas. Achei errado.

O momento do plim foi quando eu sentei com dois amigos meus, que coincidentemente eram amigos desse cara que eu ficava, e eles me falaram:

“Porra Giulia, você causava muito na mente dele. Ele saía dos rolês mentalmente cansado e as vezes até pra baixo”

Obrigada, amigos. Vocês revolucionaram a minha forma de me relacionar.

Depois dessa fala, eu refleti muito. Fiquei meio puta, eu admito. Achava que tudo aquilo que eu fazia até então era um presente para as pessoas. E até poderia ser, mas no momento errado.

Foi então que eu resolvi testar o outro lado da moeda durante o fim de semana.

Encontrei um amigo meu que não via há tempos e que também tinha o costume de causar na mente dele sempre que a gente saía. Eu via nele um lado agressivo muito forte, e sempre queria falar sobre isso. A consequência? Tornava ele mais agressivo ainda.

Então eu decidi que só ia falar sobre coisas leves e me relacionar com muito carinho e afeto, para ver se algo mudava. Eu falei pra ele: “Hoje eu não quero falar sobre coisas pesadas, só quero saber como você tá e talvez conspirar sobre a matrix e fatos do mundo”. Ele riu.

A noite continuou com papos diversos e, quando ele introduzia um assunto mais profundo, nós conversávamos.

Passavam mil coisas na minha cabeça e informações, análises e tudo mais? Claro. Mas eu não tinha que falar. Aquele não era o meu lugar.

Além disso, fui um amor de pessoa (risos). Quem me conhece sabe que eu sou meio travada com dar carinho e etc. Pode ser culpa do vênus em Virgem, ou também de consequências de édipo. Seilá!

O que importa é que naquele dia foi criado um ambiente tão gostoso e leve, que a nossa amizade também refletiu isso. Ao invés de chegar um momento em que ficávamos estupefatos pela constante discussão do ser, apenas estávamos sendo.

E aí que eu vi: você não pode forçar a barra, gata! Não importa o quanto você saiba, sinta ou pense. A hora certa para algumas situações só se dá na hora certa.

Se relacionando com leveza

Se relacionar com leveza não representa uma não profundidade. Se relacionar com leveza talvez seja o maior exercício que um empata possa fazer: ver a beleza e a dor do outro, e respeitar o tempo de maturação que é necessário para que algumas flores se abram. Nem toda época é primavera, e é isso que tornam as estações do ano tão bonitas – suas passagens.

É claro que existem pessoas que estão dispostas a compartilhar com você naquele exato momento aquilo que você está sentindo, e é uma delícia. Mas é uma delícia também ir construindo aos poucos a intimidade necessária para explorar, a dois, os mistérios de cada um.

E isso vale para os dois lados. Pois eu admito que também adoro jogar a minha profundidade no outro e ser um livro aberto.

Mas assim como a profundidade dos outros pesa, a sua pesa também. E nem sempre todas as pessoas são bem intencionadas para tratar a sua história com o sentimento que ela merece.

Dito isso, encerro o post de hoje com o coração um pouquinho mais leve e mais tranquilo, e entendendo que tudo tem a sua hora. Aproveite, enquanto isso, os minutos ;).

 

Quando é hora de partir.

Leia esse post ao som de Step Out – José González.

A gente nunca sabe quando é a hora de partir, não é mesmo?

Hoje vou compartilhar com vocês um pouco do que aconteceu comigo nos últimos meses e anos e que talvez ajude a refletir sobre partidas – e que as mesmas não precisam ser vistas como términos, mas partes do caminho.

Há 5 anos atrás…

Eu estava de malas e emoções prontas para começar um novo capítulo da minha vida: estava me mudando para Florianópolis (A foto de capa é do dia em que cheguei em Floripa).

Me lembro direitinho de como aconteceu tudo: era aniversário da minha mãe e eu partiria no dia seguinte. Imagina que situação dúbia de felicidade e tristeza! Foi difícil(ímo), eu admito. Essa era a segunda vez que eu estava saindo de casa para me jogar em uma aventura completamente inesperada mas, dessa vez, sem data para voltar.

No dia seguinte meu pai passou na porta de casa, pegamos minhas malas, e seguimos por mais 8h de estrada até chegar na minha nova casa – uma ilha!

(Agora é aquela hora do filme em que você imagina tudo o que eu vivi nos últimos 5 anos, dentre: ir morar com meu pai, me mudar para morar com 3 amigos, mudar de amigos que moravam comigo, ter uma gatinha de 3 patas (Nina <3), adotar uma gatinha que era gatinho (Marie, você é o Mário?), morar com uma suíça, um inglês e uma mexicana, ter crises existenciais, me apaixonar, conhecer gente muito foda, conhecer gente não tão foda, começar a trabalhar em uma empresa irada, mudar algumas concepções de mundo, entender mais da minha espiritualidade, entregar um apartamento sozinha, me mudar para um estúdio, me apaixonar novamente, experimentar novas experiências e limites e, por fim, me preparar para partir uma vez mais).  – Bertolucci, não quer fazer um filme da minha vida?

Foi tanta coisa, tanta história, tantos momentos, tudo tão… lindo e intenso! Mas é um capítulo que chegou ao fim. E é ai que eu quero chegar: o por que eu decidi que essa era a hora de partir.

Quando os nossos objetivos se tornam prioridade

Voltando à história acima, o momento chave em que percebi que era a hora de partir não se construiu do dia para a noite. Claro, eu tive um gatilho: recebi uma proposta para voltar para São Paulo. Mas isso foi apenas um reforço de tudo o que eu estava internalizando há muito tempo.

Para entender esse processo de internalização eu preciso contar para vocês dois momentos que vivi:

1. O momento em que “a grama do vizinho era sempre mais verde”

O primeiro momento aconteceu há cerca de 3 anos atrás (sim, já faz tempo. Por isso que eu te digo: assumir a sua decisão não é sempre fácil).

Em 2015 eu conheci um suíço numa festa a fantasia. Ele estava super animado para me conhecer, começamos a sair e tudo foi ficando mais sério. Beijinhos pra cá, saídas para lá, e na minha cabeça só se passava uma coisa: eu quero levar ele para São Paulo para ele me conhecer melhor.

Sim, eu nasci e cresci em terras paulistanas, mas não era só isso. Parte de mim começou a perceber que eu não me reconhecia aonde estava.

Eu tinha um ótimo emprego, morava sozinha, amigos incríveis mas… Ali não era o meu lugar.

Lembro da primeira vez que viemos para São Paulo juntos: os meus olhos brilharam! Eu tinha paixão e encanto em apresentar para ele cada cantinho da cidade – até desenvolvi um roteiro inteiro de coisas que a gente tinha que fazer quando aterrizasse. Eu queria mostrar para ele a minha vida.

Pode parecer esquisito isso, pois a minha vida – na teoria – estava em Floripa. Mas não era assim que meu sub-consciente via. Eu sempre achava São Paulo muito mais legal. Criticava a falta de diversidade, cultura, boemia e gastronomia de Floripa sem nem me perguntarem. Criticava, no fundo, o que eu estava fazendo naquele lugar.

E é aí que eu quero chegar: por muito tempo eu me sabotei ficando em um lugar que não me sentia confortável apenas por achar que era ali que eu devia estar. Era visível para qualquer um que me conhecesse, menos para mim.

2. O momento em que percebi que não precisava prestar mais contas para ninguém

Esse momento envolve duas partes: a primeira foi me assumir financeiramente e não ancorar mais as minhas escolhas no querer do meu pai (que me ajudava com a bolsa papai). A segunda envolve um término de namoro.

Parte 1: sobre meu pai.

Até o ano passado o meu pai sempre me ajudou financeiramente. Eu não me orgulhava muito disso e de certa forma sempre me senti muito presa no nosso relacionamento por achar que eu “devia” algo a ele.

Pode parecer besteira, mas não é.

Um dos pontos mais altos de 2017 foi a hora em que eu consegui virar para ele e falar: chega! Eu posso me bancar – e assim assumir para mim mesma que eu conseguia bancar as maravilhas e podridões de ser quem eu sou.

Eu pago minhas contas! – Foi algo muito simbólico, mas muito libertador. Vocês já sentiram que não deviam nada para ninguém? É incrível.

E ao fazer isso, eu ganhei tanta propriedade das minhas escolhas que admito: foi assustador. Mas ao mesmo tempo destravou tanta coisa que estava empacada dentro de mim. Era como receber uma massagem que desfaz todos aqueles nós que há anos estão nos dando uma dor nas costas terrível.

O ponto aqui é que ter a coragem de assumir seus quereres e vontades não é simples, mas deveria ser.

Para mim, eu precisei de um ato simbólico de romper a relação do dinheiro com o meu pai. Mas cada pessoa tem os seus gatilhos: descubra o seu.

Parte 2: sobre o meu término.

É engraçado como relacionamentos permeiam muitos gatilhos da nossa vida.

Eu, como boa libriana, já sofri e amei como se fosse o último amor da minha vida. Acontece, né? Enfim, vamos ao que interessa:

Um dia desses eu conheci um cara super legal, nos curtimos e acabamos namorando. Como todo namoro, tivemos nossos altos e baixos. É normal, somos pessoas no fim de tudo.

Mas o problema era que, de certa forma, eu nunca sentia que estava sendo eu mesma ao estar com ele.

Parecia que parte de mim sempre se limitava, se podava e se cobrava de ser “aquilo que eu tinha que ser”, enquanto eu não era.

Não vou me aprofundar nos pontos do relacionamento mas enfim… depois de um tempo nós terminamos, e minha grande motivação foi: eu amo a pessoa que eu sou, mas porque não consigo ser essa pessoa com ele?

Isso é intimamente ligado ao fato de me colocar, novamente, em uma situação de “prestar contas“. Eu sentia que eu sempre tinha que justificar a outra metade de mim que não se via confortável no relacionamento e isso me aprisionava.

Portanto, ao terminar, eu consegui ver o que realmente me importava naquele momento: eu mesma.

Você consegue ver como tudo isso se relaciona com identificar as suas prioridades e assumi-las? A única pessoa que consegue ver com clareza seus objetivos será sempre você – so own it!

Existem milhares de armadilhas e auto sabotagens que a nossa cabeça cria para nos fazer ficar em uma situação de desconforto – e eu compartilhei algumas das minhas.

A ajuda financeira do meu pai era ótima? Claro. Ter mais justificativas para voltar para São Paulo era legal? Muito. Mas tudo isso estava alinhado aos meus objetivos como pessoa e me tornava fiel ao que eu realmente queria? Não.

Isso sim é desconfortável.

E o que isso tem a ver com a hora de partir?

Tudo a  ver.

Saber olhar para dentro, identificar suas prioridades e o que te deixa desconfortável é a chave aqui. Exige, de novo, coragem.

E partir não é sinônimo de fim. É um sinônimo de passagem.

No dia 14 de abril eu estou retornando de mala e cuia para São Paulo, e tudo o que compartilhei até agora é para falar que eu tive muito aprendizado nesses últimos 5 anos. Me cobrei e amadureci muito, mas graças a diversas escolhas (e auto sabotagens também), eu consegui abrir os olhos para ver que chegou o momento de ir embora, virar a página, partir.

Tente aplicar esse pensamento em diferentes esferas da sua vida e veja como faz sentido. Um exemplo: sabe aquele cara/mina que você está conhecendo mas não tem nada a ver com você? Não tenha medo de sair fora. Ou então aquele emprego que te consome? Existem outras possibilidades mercado a fora.

As respostas estão sempre dentro de você, só resta saber: você quer assumi-las?

 

Live your highway – Manifesto

Welcome aboard, this is life.

It might seem easy, but it’s not.

You might want to cry, to laugh and to feel anger – all. at. the. same. time.

You will question everything and nothing at once and – surprise! – it won’t change your destination. This is your journey, so own it.

You’re gonna fall in love, fall out of love and have your heart broken – don’t worry, you’ll be able to pick up the pieces every time.

Don’t choose a career, choose your motivation. If you’re gonna spend most time of your life doing something, be sure to do something you LOVE. Money comes and goes, time doesn’t.

Remember to be respectful, not only with others but mostly to yourself. You know your boundaries, respect them. But if you feel like questioning them once in a while, do it.

Follow your instincts! Sometimes the biggest message you need to hear comes from within.

Feel pleasure, feel pain, but feel it. And feel it deeply.

Stop quitting things just because they seem too easy or too hard. The top of the iceberg always seems much less exciting than what it really is.

Make friends, build a family, and be PRESENT. Enjoy the little moments and experience the big ones – nothing lasts forever so be there.

Don’t panic (it’s organic). You’re gonna freak out here and there – it’s human.

Breathe in…. breathe out. This little exercise is much more difficult than you think.

Find your purpose and be wise – intelligence has much more to do with connection than with numbers. The heart, the mind, and the spirit are always there to be considered.

Don’t live like you’re dying. We’re all gonna arrive there at some point – so enjoy every second while being here.

Be grateful, say thank you and recognize how special is the fact that you’re here today.

This is your private show. You decide what you’re gonna share, who’s the audience and the feelings you want to spread. The stage is yours, so rock it.

by Giulia Birochi.

Ps. Releia este manifesto ao som de Sufjan Stevens – Mistery of Love. Vale a pena.

Sobre amores inteiros e a sua extinção.

Escute essa música ao som de Inoportuna – Jorge Drexler.

Ano novo, vida nova. Não é isso que diz o ditado?

Me tardei a voltar a escrever, eu sei. Podia culpar o tempo, as festas de fim de ano, as férias corridas, o trabalho, mas simplesmente culpo minha cabeça atordoada que não conseguia se decidir em apenas um tema para escrever e, assim, estagnei.

Hoje quero escrever sobre uma coisa que sempre converso em mesas de bar, entre amigos íntimos e fins de noite: vamos falar sobre amor.

O projeto do “My Bucket List Before 30” surgiu por conta de uma lista, de paixões e sonhos que constroem parte do meu imaginário emotivo. Mas, conforme fui escrevendo, percebi que o blog é bem maior que isso: é sobre compartilhar pensamentos, aflições, questionamentos e opiniões que muitas vezes nos limitam de sermos inteiros. É sobre aquele tipo de leitura que nos conforta em saber que não somos os únicos nesse mar de (tubarões) gente pensando e sentindo coisas reais.

Enfim, vamos ao que interessa:

Quando você pensa em amor, qual é a primeira coisa que aparece na sua cabeça?

Para muito de nós a primeira resposta reflete algo como o amor romântico, a metade da laranja, o amor “de par”, ou mesmo de múltiplas pessoas (sem julgamentos, please).

Note: a resposta vem, majoritariamente, acompanhada de um amor de duas pessoas, mas raramente pensamos no amor que vem de dentro, e sempre aquele que vem ou está externo à nós.

E assim você provavelmente me pergunta:

“Mas Giulia, qual é o problema em imaginar o amor como algo a dois? Algo a ser compartilhado e vivido com alguém que se quer bem, que “me complementa“, que “traz o melhor de mim“, que “me faz alguém melhor“, que “me faz feliz“?”

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O problema é que esse amor não é inteiro, e nunca vai ser.

A partir do momento em que depositamos no outro responsabilidades como: “nos fazer feliz”, “trazer o melhor de você” e etc., isso sempre implica que para você estar nesse sentimento, você depende de um fator externo (no caso, uma pessoa) que desperta tal estado dentro do seu coração (he).

E quando colocamos esse peso no amor, além de sempre trabalharmos com uma expectativa altíssima (diga-se de passagem) do que o outro irá nos proporcionar, também nos frustramos ainda mais rápido quando isso não acontece.

ACEITE MEU BEM: se o amor fosse conta de matemática, seria fácil.

Zygmunt Baumann fala muito sobre o amor líquido. #Haters a parte, eu acho esse discurso dele algo que realmente simboliza a nossa sociedade atual. Baumann fala o quanto vivemos em uma época de amores descartáveis e de pessoas cada vez mais infelizes devido à liquidez dos relacionamentos (nada mais se enraiza). E não é que é verdade?

Para explicar como essa lógica funciona, vou dar dois exemplos que muitos de nós já vivemos:

1. O caso do eterno apaixonado

Kevin era um cara muito maneiro. Vivia de bom humor, sorriso de orelha a orelha, com a playlist sempre tocando e repleto de gente ao seu lado. Kevin era uma cara bacana,
encantado pela vida e seus prazeres e… por se apaixonar. Kevin se apaixonava a cada esquina! Bastou caetanear, que ele já se desmanchava inteiro. Kevin já teve diversas namoradas, ficantes e amores de uma noite – dos beijos mais quentes aos sexos mais banais.

Kevin procurava o amor em toda pessoa que encontrava, e com isso esqueceu-se de olhar aonde ele realmente estava: dentro de si.

2. O caso do “eu nunca encontro alguém suficiente para a minha vida”

Jojo era uma garota daquelas que você perde o ar e esquece do tempo. Ela também, esquecia que o tempo passava (mas fazer o que, ele passa para todos). Jojo estava sempre “meio” feliz. “Meio” apaixonada. “Meio” amando. “Meio” querendo.

Ela sempre encontrou gente que era “meio” legal, “meio” bonita, “meio” feia. E de tanto ver metade no bocado de gente que passava, perdeu o ponto.

(haha sim, eu usei nome de funkeiros para contar dois continhos inventados – mas aceite, com uma temática dessas, nós temos que descontrair).

O que ambos os exemplos nos mostram, você consegue identificar?

Se não conseguiu, vem comigo que eu te ajudo: em ambos os casos, o amor projetado/buscado por Kevin e Jojo nunca estava dentro de si, mas sim, no outro.

O que acontece quando não identificamos o nosso *fucking self love*?

Acontece que sempre nos relacionaremos com aquilo que achamos que queremos, que buscamos, que nos faz feliz sem perceber que o que realmente vai nos tocar está *dentro dos nossos coraçõooooooesssss* ❤ haha que brega. (Mas é verdade).

O amor próprio é a resposta, fellas! Believe me. A gente só consegue amar o outro quando identifica que o maior amor do mundo, o que nos faz de fato feliz e nos desperta o melhor está, já, com a gente. Pachamama não nasceu ontem, meu bem. Onde você acha que ela esconderia o grande ouro da humanidade?

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E é ai que eu quero chegar! O título do meu blogpost é sobre o amor inteiro estar em extinção pois, por sempre nos relacionarmos com o amor externo a nós, nunca de fato compartilhamos amor – e sim nos relacionamos com a ideia dele e *PELA METADE*.

Amar por inteiro dá medo e não é fácil. Você acha que encarar nossa própria luz e nossa sombra é simples? E, ao ver tudo isso que está dentro de nós, você acha que é fácil
mostrar isso para o outro sem o medo de que ele vá correr assustado? Rapadura é doce mas não é mole, não! É DIFÍCIL. DÁ MEDO. DÁ UM MEDO FILHO DA PUTA. E é por isso que preferimos, muitas vezes, nos manter no status quo de “meio” relacionamento – pois a responsabilidade de nos fazer feliz não está dentro de nós, mas sim, no outro.

Se o meu blog nasceu com o propósito de falar sobre o medo nas coisas do dia a dia, eu admito: o medo de se mostrar inteiro é, por vezes, um dos mais difíceis de se superar. Estamos tão acomodados na ideia de nos relacionarmos pela metade, que fugimos na primeira piscada de um amor maior que esse.

Enfim…

O amor não é soma, é compartilhamento. Compartilho o meu eu com o seu eu e assim a gente se (re)descobre e fica ainda mais feliz. Você arca com os seus medos, suas angústias, suas projeções… e eu arco com as minhas! E tá tudo bem 🙂 Pois nos temos como apoio – mas não como muleta.

Talvez eu tenha rodopiado bastante para chegar no mesmo lugar, mas o fim da história de hoje é que o amor de verdade dá trabalho. Tem raízes. E vem de dentro.

Portanto se encontrá-lo, lembre-se: aproveite, pois ele é raro.

Sobre pessoas incríveis (e onde encontrá-las).

Sugestão: leia esse post ao som de Kodaline – All I Want.

Você já imaginou quantas pessoas deixa de conhecer simplesmente por elas serem diferentes daquilo que você está acostumado ou não parecem fazer o seu “estilo”? Bom… É justamente sobre isso que vou escrever hoje.

Eu sempre fui, desde pequena, uma pessoa muito aberta a conhecer novas pessoas. Acho lindo a conexão de conhecer alguém pela primeira vez e descobrir que existe um universo inteiro de trocas nesse relacionamento que ali nasce. Pode ser por isso que tenho amigos de quase todos os tipos e em muitos lugares, e já conheci gentx de tudo o que você possa imaginar (até mesmo um atendente de Burger King da Noruega que conseguiu sair da Coréia do Norte – e isso rendeu uma ótima história!).

Mas é claro que com o tempo começamos a limitar essas aberturas (what a stupid thing, brain), e até tem um artigo que fala que com o passar dos anos a nossa mente realmente tem mais dificuldade em conhecer coisas/pessoas/comidas/lugares novos, pelo fato de começamos a colocar mais filtros e criamos mais barreiras para o aprendizado do novo.

E aí você me pergunta: mas Giulia, que tipos de barreiras e filtros?

Lembrando que estou interpretando tudo isso sob a ótica de pessoas, escolhi 3 barreiras para discorrer. Vamos lá:

1. A barreira de “que pessoa esquisita”

Esquisita. Essa é uma das minhas palavras favoritas! Acho ela engraçada e me lembra uma minhoca sambando no carnaval (hahahaha é verdade). Mas uma minhoca dançando no carnaval seria algo incrível, e eu definitivamente gostaria de conhecer essa peça. Porém…

Muitas pessoas vêem no esquisito o negativo.

Um exemplo disso é a cidade de San Francisco. Como falei em meu último post, estou nas terras do tio Sam desenvolvendo um projeto pela minha empresa – e, claro, conhecendo essa cidade incrível e suas particularidades.

Em uma das primeiras vezes que saí pela cidade conheci uma mulher chamada Rashmi. Ela se apresentou como “Rush Me”, por já estar acostumada a muitas pessoas não entenderem o seu nome de origem indiana. Eu dei risada e falei: Rashmi, nice to meet you.

Rashmi é vendedora de uma empresa bem legal chamada LeadGenius (isso não é um post patrocinado – e eles já tem data base no Brasil aliás rs.). Por ser vendedora, ela é ótima com pessoas! E, normalmente, quem é ótimo com pessoas tem um dom bem bacana: são bons entendedores.

Entre um gin tonic e outro, Rashmi percebeu que eu não seria Lead qualificado para a empresa, mas que seria Lead qualificado para o seu círculo social (sim, vou falar sobre isso no próximo ponto), e então começou a me contar um pouco sobre o mito da cidade esquisita.

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Muitos de vocês talvez não sabem e – novidade – eu também não sabia. Mas San Francisco é conhecida como a cidade das pessoas esquisitas.

Pode ser que seja pelo movimento hippie ter começado aqui, com muito Beatles, Joplin, Zeppelin, Strawberry Fields e um bocado de LSD, ou talvez seja apenas porque as pessoas se sentem confortáveis em ser quem realmente são. Loucos –  você diz? Eu digo: let them be.

Conforme os anos foram passando, a cidade foi crescendo e a música e o amor livre foram… bom, ficando mais reservados. E assim novos prédios foram surgindo, novas idéias se espalhando e BOOM! Ocorreu a explosão tecnológica (mais especificadamente em 95, com a ultra valorização da Netscape).

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(Digamos que era um tipo totalmente diferente do que consideramos tecnologia mas… Mamma mia! That was a revolution)

Com a explosão tecnológica, novas tribos começaram a habitar a praia dos surfistas e artistas – tribos que adoravam telas de todos os tamanho (e preços). Foi aí que muitas empresas nasceram/se fortaleceram e mudaram a forma como consumimos e vemos o mundo – Apple que o diga, né?

E aí, a cidade que era até então conhecida pelas roupas tie die coloridas, começou a ver mais blazers do que baseados. Digamos que a paleta de cores resolveu se tornar um pouco mais comportada e minimalista.

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Sim, a cidade mudou. Mas e as pessoas? Realmente mudaram? Ou simplesmente colocaram uma camisa social?

O que Rashmi me disse é que a cidade de San Francisco é weird. Ela é feita de pessoas weirds. Mas quando pesquisamos sobre SF, encontramos notícias sobre o vale do silício, UBER, Google (que, só por curiosidade, nem é na própria cidade) e etc. Mas e a essência da cidade?

Existe um fato muito curioso em SF que é a quantidade de pessoas sem casa e drogados em plena luz do dia – no meio da rua. É um número impressionante (cerca de 8.000 pessoas). E são pessoas que em muitos casos foram desabrigados após o boom tecnológico e hoje em dia se tornaram a escória da sociedade.

Ou seja… Os weirds do começo de tudo, hoje em dia se tornaram ainda mais weird pois, além de não se enquadrarem no novo ritmo, muitas vezes tem que recorrer a rotas de fuga da realidade para escaparem da dor da inaceitação. Quem é o esquisito nessa história?

Segundo o dicionário, esquisito é:

esquisito
adjetivo
  1. 1.
    encontrado com dificuldade; raro, precioso, fino.
  2. 2.
    p.ext. desconhecido, estranho, exótico.

E eu te pergunto:  porque hoje em dia o esquisito é ruim? Ou ainda, porque o diferente é ruim também? Por que negamos o esquisito dentro de nós? Pois, convenhamos, todos nós temos aquela mania bizarra e que mantemos a 7 chaves por medo de sermos julgados. (Mundo, eu tento te entender, eu juro).

Essa é a primeira barreira. A barreira do esquisito. A barreira de ver o diferente como algo ruim, e não apenas diferente.

2. A barreira de “que pessoa feia”

Pessoa feia. Com certeza ao ouvir isso alguma imagem vêm à sua cabeça, não é mesmo?

Todos nós temos padrões mentais. Muitos destes foram insituídos por formação social ou incentivos da mídia (Hollywood, seria essa você? Shame on you), e TÁ TUDO BEM! O seu feio é diferente do meu feio, que é diferente do feio de um monte de gente e vida que segue.

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O problema do feio é quando ele é impositivo. Uma pessoa é feia e ponto. Ponto? É isso? Deu da pessoa? Ela é só feia? Ela é uma forma como você interpreta uma imagem e é isso que define ela?

Você consegue se ouvir ao questionar todos esses pontos? Faz algum sentido? Provavelmente não, e é justamente por isso que eu trouxe isso como uma das barreiras para conhecer pessoas incríveis.

Beleza física é algo muito subjetivo – e que passa. Mas ao invés de romantizarmos sobre o que beleza realmente é (temos as campanhas da Dove para isso), hoje eu quero ver o outro lado: o lado feio.

Quando eu era mais nova eu tinha medo do feio. Eu juro – e me envergonho. Eu achava o feio um… monstro. Claro, era isso que os filmes e livros caracterizam como monstro. A linguagem utilizava de componentes físicos para distorcer o bem e o mau.

Foi muito difícil romper a barreira do feio enquanto monstro. Eu admito que até hoje ainda me encaro julgando o “meu feio”, e isso leva a muitas perdas e exclusões. Que merda né? Enfim.

O feio para mim pode ser muito simbolizado pelo filme do Beauty and the Beast. Em todas as versões já produzidas do filmes, Bela (Beauty) é uma rapariga bonitinha que se apaixona pela Fera (Beast – que é besta em português, mas acho que iam confundir com o diabo nessa país religioso que temos). Só que Bela, mesmo se assustando ao ver a Fera pela primeira vez, percebe que a primeira impressão é apenas a superfície, a ponta de um iceberg inteiro.

E ela se joga nesse oceano – que medo! – e descobre algo muito mais profundo e especial do que o olho nu veria. Viu uma pessoa.

Podem me chamar de criança Disney, mas eu realmente acho lindo o conto da Bela e a Fera, pois mostra que o feio é só uma percepção. E uma pessoa tem muitas outras percepções que apenas a primeira.

Com isso, eu te pergunto: você está disposto a mergulhar, ou vai querer ver somente a ponta dos icebergs?

3. A barreira de “que pessoa de outro mundo”

Cara, essa barreira pra mim é a barreira mais legal de cruzar! Mas, para muitos, é também a mais difícil.

Uma pessoa de outro mundo… Pode ser porque eu sempre fui meio ligada no universo e torci fortemente para que coisas como Matrix, Gnomos, Fadas, Bruxas e etc. fossem verdadeiras, mas o outro mundo nunca me assustou. (Claro, viajar em uma espaçonave deve ser algo MUITO LOUCO, mas medo? Não.).

O que é uma pessoa de outro mundo para você? Me conta.

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(E.T. hahahahaha eu posso ser muito óbvia, mas esse GIF é demais)

Brincadeiras a parte, uma pessoa de outro mundo é uma frase muito utilizada para quando uma pessoa é diferente daquilo que você está acostumado. Pode ser por conta da roupa, do cabelo, da forma de falar, de agir, do sotaque… Enfim, tantas variáveis que eu poderia ficar aqui o dia inteiro relatando motivos que caracterizam pessoas “de outro mundo”.

Como eu falei no começo do post, eu sempre fui muito estimulada desde criança a conhecer pessoas fora “da minha bolha”. Com 11 anos me tornei membro do CISV, uma organização em prol da paz mundial por meio de amizades globais. Aos 14, fui enviada para INDONÉSIA (obs. com 14 anos, eu achava que a Indonésia ficava na Europa. É sério.), para morar 1 mês na casa de uma família indonésia. Se tinha um lugar diferentão para me mandar, acertaram. E acertaram mesmo, pois foi uma das experiências mais marcantes da minha vida!

Sopa de cabeça de peixe no café da manhã? Comemos. Pimenta? Teve. Fuso de +13h? Definitivamente. Uma língua diferente? Totalmente. Religião? Também. Pessoas incríveis? Com certeza.

Com 14 anos a maioria de nós está naquela fase LEGAL que se chama adolescência. É aí que grande parte das pessoas aprende a ser cri cri com a vida e julgar a tudo e todos ao seu redor. E, no meio disso tudo, eu fui mandada para o outro lado do mundo. QUE VIAGEM!

Literalmente… Que viagem! Acho que esse foi um dos pontos mais marcantes da minha vida, pois me fez botar a cara no sol da realidade e ver que existe muita coisa diferente e legal além do que podemos ver – e conhecer.

Foi desafiador a primeira vista? Não vou mentir, foi. Mas ao baixar a rédea e abrir os braços para o universo de possibilidades que ali se instaurava, vi que tinha muito mais o que ganhar do que perder.

Eu dei um exemplo bem excepcional, eu sei, mas o ponto é que não precisamos sair do nosso país, cidade, ou mesmo casa para estarmos dispostos a se abrir para o “outro mundo”. O outro mundo é legal, vem gente!

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Uma outra história que simboliza um pouco de conhecer o outro mundo tem tudo a ver com San Francisco e começa, bom… no meu trabalho. Eu fui selecionada para vir para esse projeto com mais 2 pessoas da minha empresa, o Paulo e o Marcel (até pensei em colocar nomes fictícios como Paul e Marc, mas acho que eles iam sacar de toda forma rs).

O Paulo e Marcel sempre foram amigos de amigos meus, mas a gente nunca realmente trocou ideia antes de vir pra cá. E o Paulo, o mais engraçado de tudo, é que um mês antes de sair a seleção do projeto, eu mudei para o mesmo condomínio que ele: para ser vizinha de porta.

Se o destino já estava me colocando perto dele, eu não sabia, mas o que eu sabia é que eu considerava o Paulo uma pessoa bem diferente de mim. Eu sou super extrovertida – Paulo é introvertido. Eu sou baladeira – Paulo é caseiro. Eu sou meio louca – Paulo é meio racional. E os comparativos poderiam continuar, mas esse não é o foco.

O foco é que assim que nos encontramos, nós 3, no aeroporto de São Paulo com as malas prontas para embarcar pros USA, uma ficha caiu: estavámos os 3 vulneráveis, longe de família e amigos, indo para uma cidade que nenhum de nós conhecia.

Logo no avião já foi uma aventura. Rimos e nos divertimos até chegarmos ao México – imigração desordenada de mais de 3 horas de fila. O que fazer quando se está com 2 pessoas que você pouco conhece, com pouco espaço para se mover e horas para passar? Você os conhece.

E assim que chegamos a SF já vimos uma coisa: não eramos mais apenas pessoas, mas sim amigos.

A cada dia que passou, 3 colegas de empresa completamente diferentes começaram a identificar em si vários pontos em comum e aberturas inesperadas para consolidar amizades verdadeiras. Amizade do tipo: chega em casa que eu cozinho pra gente! Ou do tipo: vamos tomar uma cerveja hoje? Que no fim se tornam 3 e com um hamburger mexicano ao fim.

Resumo: não tenha medo de sair da bolha e conhecer quem parece não ser do seu mundo. No fim das contas, todos somos do mesmo :).

Assim como falei no começo do post, Rashmi me “qualificou” como possível amiga ao conversar comigo. Eu entendo: somos humanos e fazemos esse tipo de coisas para ver se a pessoa “combina” ou não com a gente. Mas o quanto será que não deixamos de ver ou conhecer ao fazer isso?

Pessoas incríveis estão em todos os lugares, classes sociais, cores, sexos, gostos e diferenças. Basta saber notar – e abraçar o novo!

Eu tenho um mantra que é saber me virar em qualquer lugar que vou sozinha, pois sei que no fim das contas sempre vou encontrar boas companhias para extrair o melhor de toda situação.

E você, já encontrou alguém incrível hoje?